A concepção estética de Plantae não foi sempre a mesma.
A produção dos desenhos levou cerca de 14 meses e nesse tempo muita coisa mudou. Testes comprovaram que havia sempre algo diferente e mais trabalhoso que poderia se adequar melhor a proposta do filme. No início, as animações foram pensadas para serem extremamente simples, sem cor, e com os desenhos quase sem preenchimento algum de sombreamento. Seria algo semelhante a um esboço de caneta em papel, fundo branco e traço preto.
Mas o desafio sofreu uma transformação gigante quando foi percebido que a floresta tem muito a dizer com suas nuances, suas sombras e seu movimento.
Assim, nasceu a estética final onde cada detalhe tem seu valor e precisa ser mostrado, o que, inclusive, implica numa sonorização mais rica e sofisticada.

A ambientação sonora de Plantae foi realizada com sons captados na floresta amazônica compostos com sons captados isoladamente de aves, anfíbios, insetos, efeitos e alguns sons de coisas bastante aleatórias. A cada pio e zunido que era inserido às imagens, uma nova visão sobre os fatos surgia, já que os desenhos que ganham vida com os movimentos passavam a se comunicar com seus ruídos. Um processo maravilhoso e empolgante. O processo de escolha dos ambientes levou algumas semanas. De tempos em tempos, era preciso construir a sonoridade de formas diferentes para então descartar tentativas e selecionar o resultado que melhor construísse o realismo pretendido da floresta e os acontecimentos do filme.

Sons especiais, que enriquecem os acontecimentos da estória, foram cuidadosamente construídos com uma rica gama de sons inimagináveis, como por exemplo o ronco de um velho cachorro dormindo, o que confere suspense ao clima sonoro em parte do filme.

Uma vez escolhido o som do filme, a mixagem se inicia para modificar e ajustar a espacialidade dos ambientes e efeitos. A título de exemplo, o som de uma ave que canta próxima do microfone na captação tem seu som limpo e de preferência o mais isolado possível. Ao mixar, ele deve receber efeitos para ser fragmentado múltiplas vezes a fim de gerar no expectador a sensação de distância, como se sua voz chegasse rebatida e espalhada por entre as centenas de troncos da floresta.

A temática de Plantae não surgiu apenas de uma oportunidade para se debater um assunto em pauta, mas sim como expressão de uma preocupação latente e constante sobre as consequências da expansão das áreas desmatadas, que ocorre em praticamente toda a faixa equatorial do planeta. Nessa ocasião, na vastidão da floresta esconde-se a dor de seres que não exitam em suas funções biológicas, vitimados e dizimados por uma série de fatores completamente velados à maioria das pessoas. O desequilíbrio sistemático de ecossistemas inteiros, a devastação do habitat de espécies de ocorrência restrita e a contaminação por invasão podem estar colocando em curso processos de degradação não natural irreversível.

Plantae é um curta metragem realizado em animação 2D seguindo o tradicional método de sequenciamento de desenhos. 

Compostos em meio tridimensional virtual, os desenhos remontam a maior floresta do mundo com atenção aos detalhes que se encontram ocultos na mata.

O filme não teve roteiro, apenas uma decupagem de mais de 50 planos que construíam uma ideia narrativa. Eles tiveram que ser cuidadosamente escolhidos antes de serem feitos. Nesse processo, muitas imagens interessantes acabaram ficando de fora para que o filme mantivesse não apenas uma curta duração como um ritmo que se adequasse às músicas. A animação dos personagens se deu por diferentes técnicas. 
Em muitos momentos, o movimento do homem foi desenhado com base em vídeos, o que é chamado de rotoscopia. Para isso, a cabeça de um boneco construído de acordo com a concepção do homem era inseria sobre o vídeo para que então esse vídeo pudesse ser usado como base para o traço final. Mesmo assim, a maioria das partes do corpo no vídeo não eram copiadas à risca por causa da divergência da concepção do personagem em relação ao animador, que é quem atuava nos videos (o que é um divertido método bastante comum aos animadores). A expressão facial era sempre desenhada de modo livre. De certa forma, a amplitude dos movimentos e o modo como o rosto se deforma em cada expressão, por exemplo, constroem um pouco da personalidade do personagem. 
Em outros momentos, porém, o madeireiro e todos os outros personagens foram animados partindo inteiramente de esboços livres. 
Os desafios foram vários, como por exemplo a frequência das batidas das asas de uma borboleta e o prolongamento do movimento inicial de um Boto que precisou ser incluído após o plano ter sido dado como finalizado. Neste caso, a animação precisou ser feita de trás para frente, ou seja, antes da pose 1 precisou ser feita a pose 0, e depois a pose -1, -2 e assim por diante até que o movimento estivesse longo o bastante para cobrir a lacuna que o plano apresentava na montagem.
Por fim, as animações e as pinturas dos cenários eram dispostas ordenadamente na composição final. Efeitos como reflexos, por exemplo, totalmente feitos a mão, eram inseridos sobre o resultado dessa composição.

Alguns objetos costumam ser usados como referência para o estudo de movimentos.

No filme, um pendurador de parede para bicicletas colado a um pedaço de madeira foi usado como referência para uma motoserra.

  Ouça o ambiente da Floresta! 

Ao cortar uma grande árvore no interior da floresta amazônica, um madeireiro contempla uma inesperada reação da natureza. Uma reflexão sobre as conseqüências irreversíveis do desmatamento e da subjugação lamentável dos humanos aos demais seres da Terra. 

Argumento, Direção e Animações de Guilherme Gehr

Desenho de Som e Mixagem de Breno Furtado

Produção Executiva de Fernando Gehr

Apoio de Produção de Ariane Romanha Melato​

Músicas de Ludovico Einaudi e Alexandra Streliski